segunda-feira

Então

então o homem vestido com um bom terno disse ao outro também vestido com um bom terno, comendo uma boa comida:


- aí é simples, ô xará, a gente deixa as pessoas bem tristes, bem cansadas, bem desanimadas, depois jogamos umas notícias mais ou menos boas,  elas acreditam que tudo vai melhorar... continuam empurrando, esperando... e a gente continua pegando tudo que é nosso...

 

- é xará, tristeza e cansaço, o veneno deles, o nosso remédio... hahahaha!

- hahahahaha!



e enquanto desligava o celular, enfiou uma boa garfada na boca da boa comida que saboreava.

.

 

sexta-feira

Perde-se

 

Perde-se 

o precioso verso

e o precioso tempo

quem  planeja vingança  se debruçando

no detalhe mofado da porta que nunca abriu...





quinta-feira

OUTROS TEMP(L)OS

 

Leva-se tanto tempo...

prá tudo

nada

prá sempre

e nunca mais.

 

Levei tanto tempo...

pensar

ser

estar

.

fazer.

.

.

.

tanto tempo...


Que tempo agora,

É temp(l)o,

.

.

De paz.

em nome

em nome da humanidade

desceram as cortinas da verdade
subiram as legendas da vaidade

quis assim que uma espécie de aviso fosse dado
um alerta, um recado
vindo de um sem fim de mundos antes
que aonde se planta vantagens
se nascem as sacanagens
e as satanagens...


da natureza
vieram todos os sinais
da natureza humana
vieram todos os ais
ora, ora, quem grita mais que uma boca silenciada
no meio da floresta queimada?

em nome de um tudo
faz-se um nada

para onde vão as dores do mundo senão para o próprio mundo?
cada sentimento que vira vento e água
cada -mágua-
vem e vai nos hospitais
ora, ora, quem cavou esta afirmação e deixou cair sua conclusão?



a cor do dia não foi inaugurada
e arrumar as gavetas foi como
um passaporte de ida e chegada
para cada dobra, uma memória daquela roupa
calças e calcinhas coloridas dançam em silêncio...

em nome de quê, não gritamos?





domingo

Só não duvido da fé


Minha mãe está cantarolando Nem luxo, Nem lixo
Ouço e digito

Vem a frase "quero saúde prá gozar no final"

E quem não quer, né merrmo?
Ora, estamos ON!

Estamos entre o start e o fim do now
É só uma pausa
Uma pauta
Uma puta duma pauta

regamos a laringe
lúpulo e ninho

ovo de chocolate
renovação e caminho

um poema de domingo

o que queremos é ser
nós mesmos

Nem luxo, nem lixo
só a gente
assim
feito de fim
e início...

pegue sua água
sua cerveja
e festeja
ora, não estamos OFF...


e apesar da ressaca íntima de ser-se
seja.

https://www.youtube.com/watch?v=YJibr-vj5Og

sábado

Verbos de Ação



“A proposta de trabalhar o corpo através de imagens” (CAVINATO, 2015).


caminhar, 
correr,
 pendurar,
 soprar,
 alcançar,
 descansar,
 seguir, 
olhar, 
acalmar, 
dançar,
 falar, 
gritar, 
cruzar,
 atravessar, 
permanecer,
 florescer,
 continuar, 
perceber, 
voltar,
 ir.

quinta-feira

Hermana

eu e tu
lobas da mesma floresta
farejamos nossas pegadas

circundamos os sinais
acendemos as velas
e os olhares

e lá no nosso oráculo
desvendamo-nos

já tarde
descobrimos juntas
as mentiras
as falsas falas
as enganosas promessas

e juntas erguemos o copo
e o corpo
uivo interno
amor eterno

aquele ser
vagará pela infinitude da incerteza
que é pior do que dúvida

aquele ser
que envaidecido
nos machucou
é tão bosta
que nosso caminho fertilizou


até  aqui
até prá sempre

e nunca mais...

eu e tu
duas sereias
abençoadas
pelas três fidalgas

e por Gil
no melhor lugar do mundo
no refrão mais presente

assim são nossas constelações
nosso signo: mulher.

(Para Natália)