terça-feira

Hoje

fazer hoje


apanhar sementes da manhã
lançar no terreno fértil da alegria 


abraçar o vento, beijar a lua e transar com o universo


escrever o capítulo
dizer o sim
alongar os músculos
exercitar a paciência
embalar aquele presente


virar a página ou queimar de vez o livro


tomar sol num gole só
grafitar a parede da dúvida
fotografar o vazio que abriga a fé


aquietar as fúrias calamitosas
uivar e gozar
dançar e cantar
cirandar e celebrar


hoje: 
viver o hoje.

segunda-feira

Sinal

Este escrito tem assinatura de sal 
https://www.youtube.com/watch?v=JmKWrUJjxTk


como o sal
eu me diluí no mar
dos olhos
de ressaca...

foi Machado quem me ensinou

que o tempo
altera
e transforma

obliquamente falando

este escrito é
não sobre o amor


eu que saltei do meu barco

para nadar em mim
não entendi que seria sereia
insisti nos pássaros
ter asas
letras e palavras livres
corpo e liberdade
caminhos de areia
e de folhas
jardins de frases

plataformas

estações
ventos

tempestades

lampejos
despedidas
boas vindas

sementes...







sábado

O punhal da ternura

instrumento cortante

suspiro enlouquecido de doçura

mas há o tempo...



agora, um pássaro

asa cicatrizada
pronto para voar
desengaiolado 

o punhal da ternura entra pelas vias emocionais




em galhos, cavernas e tocas

os trabalhos recomeçarão...






sexta-feira

Capítulo Um - Único capítulo

nunca pude lhe dizer tudo, nunca poderei,
 mas não foi porque eu não quis...





diante do silêncio
eu me decidi
na fenda das palavras renasci

rasguei a confissão
filtrei a confusão

e ressurgi.



[Para Mariana]

domingo

Sopro

Donzela que sopras forte,
Vento da saudade violenta
Donzela você não aguenta
Saudade é só prás fortes...




terça-feira

Varal de ideias


Nesta tarde o sol alinhavou ideias esfriadas,
Contidas nas gavetas escuras de dentro...
Elas saíram uma a uma enfileiradas por um fio de calor humano...
Varal de ideias que ao invés de secarem,
Molharam-se da chuva de expectativa que caía na cabeça sem parar...
Depois o sol se pôs.
O varal ainda está lá, segurando.
As ideias também, ainda gotejando.
Quando o vento da vontade bater,
Certamente as ideias, passivas e penduradas, voarão sem querer.
Para onde elas vão é que não dá prá saber,
Muito menos o que pode acontecer!
Já pensou se o varal não aguenta
E com o peso arrebenta
Fazendo cair as ideias, agora mais sedentas?
É melhor reforçar o varal
Limpar bem o seu quintal
Prá garantir uma segunda chance.
Se a ideia cair, não precisa se afligir
Caia junto e junto se levante!
Pendure as ideias de volta
E você vai perceber algo intrigante:
Depois de uma queda, nenhuma ideia, nenhum ser humano,
Pensa e vive como antes...





                  



quinta-feira

Enquanto isso na Estação da Luz...


Uma mulher de cabelo roxo lê um livro
Um camundongo passeia pelo trilho
Yann Tiersen no meu fone, evoca solidão...
Um casal se beija
Alguém grita: VAI CURÍNTIA!
Um moço me olha
Uma criança chora
Duas garotas gargalham
Eu escrevo.
Penso na vida,
Enquanto o trem não chega...